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Manaus e arredores: passeio de barco pelos rios Negro e Amazonas

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Por Fernanda Nascimento -

A capital do Amazonas é muito maior que ela própria. Manaus também é a floresta no entorno, os povos que vivem a dezenas ou centenas de quilômetros dali, os rios que margeiam a cidade e tudo que nasce deles. Há tanto a se explorar que seria necessário viver ali por um bom tempo para conhecer de verdade a região. “Quando as pessoas vêm para a Amazônia ela querem conhecer tudo. É impossível, é claro, mas em um dia é possível ter contato com os principais elementos amazônicos”, explica Pedro Ferreira Neto, da Amazon Eco Adventures Tours.

Mais de 100 quilômetros traçam o percurso do passeio de lancha que Pedro idealizou para explorar um pedacinho de tudo que cerca Manaus. São apenas dez lugares na embarcação, o que evita a muvuca dos grandes barcos que seguem pelos principais pontos turísticos ao longo do Rio Negro. “Para conhecer a verdadeira Amazônia – não a dos filmes e dos documentários – você precisa ter contato com as pessoas que vivem aqui”, diz. O primeiro sinal da cultura tão particular deste lugar são as comunidades flutuantes. São dezenas de casas, às vezes com jardim, escolas, bares e até igrejas construídas em cima de troncos de madeira. Ali, tudo se faz de barco – e por isso esse meio de transporte é a melhor maneira de explorar a região.

Depois de uma parada numa dessas construções flutuantes que funciona como um criadouro de pirarucus, o maior peixe que nada por aquelas bandas, a lancha segue para o Encontro das Águas. É assim que é chamada a confluência do Rio Amazonas com o Rio Negro. “Por questões de velocidade, temperatura e densidades, a cor escura da água do Rio Negro não se mistura com a cor barrenta do Amazonas por quilômetros”, explica Pedro. “Esse é um dos maiores fenômenos naturais do mundo.”

Fotos: Doma02

A próxima parada é um dos flutuantes que costumam receber visitas dos botos cor-de-rosa. Ao atracar o barco, um dos funcionários do local entra no rio com um punhado de peixes nas mãos, que lança a alguns metros de distância para atrair os animais. Pode demorar para chegar o primeiro boto. Afinal, eles vivem soltos na natureza e só se aproximam quando estão com fome. “Dessa maneira você não precisa mantê-los presos, já que o bem estar dos animais é uma parte importante do ecoturismo que a gente propaga aqui na Amazônia”, diz Pedro. “Sentir o boto se aproximando para buscar um peixe é uma experiência única.”

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O fim da tarde está próximo, mas ainda há tempo para mais uma visita. A poucos quilômetros dali, um grupo de indígenas do Alto do Rio Negro recebe a visita dos turistas para mostrar um pouco de sua cultura. “Não é como ir a uma aldeia porque isso interfere muito nas comunidades tradicionais”, explica Pedro. “Eles fazem uma apresentação para que as pessoas possam conhecer um pouco dos costumes, da língua, das coreografias e da alimentação.”

É hora de voltar para Manaus, navegando próximo às margens da capital, que tem uma atividade incessante de vai e vem de barcos. Tudo ali é pautado pelas águas do rio, que ora está na vazante e ora está subindo. “Em cada época do ano você vê uma Amazônia diferente. Num período temos as praias do Rio Negro, em outro a floresta está inundada”, explica Pedro. “Essa diversidade e essa riqueza só existe aqui. Você pode visitar várias partes do mundo, mas jamais vai esquecer esse dia de imersão na cultura amazônica.”

Amazon Eco Adventures Tours
amazonecoadventures.com
Tel. (92) 98831-1011