Inovador, genial, corajoso, estiloso, visionário: no aniversário deste gigante, que acaba de iniciar sua turnê ao lado da irmã Maria Bethânia, a gente rende nossa humilde homenagem.
Ele nasceu na Bahia, abraçou o Rio, compôs a mais linda canção sobre Sampa e, aos 82 anos de idade, é patrimônio do Brasil. Em mais de 60 anos de carreira — boa parte dela tendo a leoa Paula Lavigne ao lado — gravou 48 álbuns, faturou dois Grammy e 12 Grammy Latino, foi indicado ao Oscar, estacionou no Leblon, publicou livros e se firmou como um dos maiores pensadores da América Latina.
Está sempre à frente

Ele nunca vai ser óbvio, nunca vai ser banal, nunca vai ser raso — por mais que ache “meio tedioso o compromisso com o profundo”. Em seis décadas, se reciclou, abraçou novos estilos musicais, dialogou com artistas de várias gerações e nunca — jamais — deixou de ser atual e relevante.
É multitalentos

Além de algumas letras mais complexas e tocantes da história da música — O Quereres, Cajuína, Gente, Terra, Alegria, Alegria, Podres Poderes, Tigresa… —, publicou livros, artigos e até críticas de cinema.
Genialidade trilingue


Caetano foi preso após a instauração do AI5 e, depois, exilado. Em Londres, mostrou que seu talento não tem barreiras linguísticas e compôs os bombásticos Caetano Veloso e Transa, que têm tesouros como You Don’t Know Me, Nine Out of Ten e London, London. Em espanhol, também é sucesso — o que dizer de Soy loco por ti America?

“Eu não sou um popstar verdadeiro nem um intelectual verdadeiro, por isso posso dizer que sou um popstar intelectual.”
Caetano Veloso, em entrevista à jornalista argentina Violeta Weinschelbaum
É um pensador contemporâneo

Se posiciona desde sempre sobre temas brasileiros e mundiais. Está sempre pronto pra uma treta e não tem medo da polêmica.

“Subversivo e desvirilizante é uma combinação que tem a ver comigo. Eu sou essa pessoa.”
Caetano Veloso reagindo sobre o que o prontuário militar dizia sobre ele em 1968, no documentário Narciso em Férias (2020)
É ícone de estilo até de pijama

Seja de terno de tweed em festival nos anos 1960; de tanga no Arpoador nos anos 1970; com uma cueca branca revolucionária nos anos 1980; de sarongue em entrega de prêmio nos anos 1990; com seus ternos impecáveis — ou de pijama — é elegante e absoluto.
Crédito da imagem de abertura: Alexandre Macieira / Wiki Commons