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Langai, a marca brasileira que quer inspirar mais mulheres a surfar

Por Laura Cesar -

O escritório da empresária Luiza Coutinho, não é na praia, mas fica a poucos quilômetros de Grumari, o point do Rio de Janeiro onde ela testa manobras na prancha todos os dias, por volta das seis da manhã, antes de dar início aos trabalhos na Langai, marca de surf feminino da qual é cofundadora. Quando não rola swell, a carioca troca o surf pela corrida na areia, mas não perde a oportunidade de iniciar a rotina de frente pro mar. “A conexão com a natureza me traz muito sossego e paz. Muda totalmente a forma como lido com os desafios diários”, conta. “Já o surf é minha meditação ativa. Na onda eu só penso em estar presente”.

É na água que Luiza também ganha inspiração pra desenvolver os maiôs, os biquínis com modelagem mais firme e as peças de neoprene pras coleções da Langai, cujos modelos são sempre pensados no conforto da mulher no esporte. Surfista há mais de cinco anos, sempre sentiu falta de encontrar no mercado uma marca que pensasse nas reais necessidades do público feminino dentro da modalidade e que tivesse uma comunicação voltada exclusivamente pra ele. Foi então que em 2015, durante uma surf trip pela Califórnia ao lado do sócio e namorado Bruno Campos, formado em administração, que o casal começou a arquitetar o projeto da Langai.

Os fundadores da Langai, o casal Bruno Campos e Luiza Coutinho pegando onda juntos

De volta ao Brasil, desenvolveram a primeira coleção de roupas, com cerca de 600 peças, instalados na área de serviço da casa da Luiza. A ideia era testar a sinergia do casal também como parceiros de trabalho e ver se a empreitada tinha potencial de crescimento. “Eu e o Bruno somos bem tranquilos. O que mais prejudica é estar 24 horas por dia juntos e ter que lidar com os problemas. Tem momentos caóticos”, conta Luiza. Entre erros e acertos, a Langai foi pouco a pouco ganhando forma como e-commerce.

Em um ano e meio de marca, inauguraram a primeira loja física dentro do restaurante vegano Pura Vida, na Barra da Tijuca, e contrataram sete funcionários pra ajudar na produção. “A gente deu um passo maior do que podíamos e a equipe acabou não dando certo. Não sabíamos como liderar pessoas, então agora é apenas eu na parte de criação e comunicação, o Bruno na área do financeiro e mais duas que dão suporte na loja física e online. Todos surfistas. Fora isso, temos outros colaboradores externos que ajudam com a fotografia, a criação de estampas e a confecção das peças”. Começar um negócio tem lá seus altos e baixos, mas o casal sempre falou abertamente sobre isso nas redes sociais.

Modelos com as roupas das marcas

Hoje, além de vender roupas, pranchas estampadas e outros acessórios para o surf, a Langai conta com linha de skate, yoga e outros produtos que fazem parte do lifestyle do esporte. Preocupada com o meio ambiente, a marca busca produzir todos os produtos localmente e de forma sustentável. Entre as práticas adotadas, caixas de correios feitas de papelão reciclado, ecobags e saquinhos de sobras de tecido, reciclagem e descarte correto dos resíduos da produção, e uso de malhas feitas de PET reciclado e algodão certificado. “Não tem como fingir que nada está acontecendo e adotar uma postura passiva, precisamos mudar o rumo dessa história”, diz Luiza. “Mas ser uma marca de moda e se assumir como sustentável é muito complicado. São muitos processos, então é preciso revisar tudo e sempre buscar melhorias”.

Outra premissa seguida pelo casal é a de incentivar e empoderar as mulheres a praticarem o surf. Por isso, a Langai mantém uma comunidade online ativa de mulheres – surfistas e aspirantes –, onde trocam informações sobre o esporte no Instagram e no Youtube. No espaço físico, eles buscam participar de campeonatos e criar experiências dentro desse universo. Um dos eventos mais concorridos já realizado até então foi o Elas Quebram, onde ofereciam mensalmente aulas de surf, yoga e campeonato de balance board pra cerca de 150 mulheres na Praia da Macumba.

As pranchas da Langai são shapeadas pela carioca Davenia

Com a equipe enxuta e dando passos mais cautelosos, a Langai segue em expansão. Há três meses fecharam as portas da loja na Pura Vida e iniciaram nova fase na Galeria Hippie, em Copacabana, que é referência de surf e skate no Rio. "Eu sempre trabalho com metas, então tenho tudo planejado a longo prazo. Mas uma coisa que fico muito feliz com a marca é ver o mercado do surf feminino expandir e conhecer meninas que têm a Langai como referência na hora de escolher a primeira prancha, a roupa de surf ou apenas ser aquela amiga que muita gente não teve pra se iniciar no esporte”.

Nos planos futuros, o casal pretende proporcionar mais experiências fora do universo digital e aprimorar a produção de conteúdo, com vídeos ensinando técnicas de surf e de histórias inspiradoras de mulheres atletas. Até lá, eles vão vivendo um dia após o outro, entre uma onda e outra, sem pressa.

E tendo sempre em mente: “O feito é melhor do que o perfeito. O importante é ter melhoria constante e não fazer nada sozinho”, finaliza Luiza.

Luiza Coutinho com roupa da Langai