Vibes

Viajar é bom. Voltar para casa é ótimo

Por
Adriana Setti

Sair de rolê pelo mundo também é uma forma de aprender a dar valor às pequenas delícias do cotidiano.

Viajar é bom e (quase) todo mundo gosta. Mas isso também implica explorar sabores desconhecidos — e sofrer as consequências —, tomar uma série de pequenas decisões, submeter o esqueleto a colchões desafiadores e embarcar na aventura de sair da zona de conforto. Passou a virada do ano longe de casa? Celebre, sem culpa, o prazer de voltar à rotina.

O melhor lugar do mundo

A despeito do mar azul da Bahia, do nascer do sol em Alter do Chão ou do esplendor das cachoeiras de Aiuruoca, em certos momentos do dia, o melhor lugar do mundo é o seu banheiro. E não importa se você passou suas noites de férias nos lençóis egípcios de um hotelão ou lutando com pernilongos num bangalô de bambu. Ao voltar, nada como dormir na sua cama, com o seu travesseiro e aquela almofadinha velha pra abraçar quando vira de lado.

O banheiro de casa: o melhor lugar do mundo é sempre aqui | Foto: Curology/Unsplash

Minha casa, minhas regras

Tapioca, cuscuz, suco de umbu-cajá, bolo de milho, queijo coalho com goiabada? Delícia mesmo é dormir sem medo de perder a hora do tão sonhado café da manhã da pousada – mesmo que ele só seja um pão com manteiga com uma xícara de café preto.

Barulinho bom

Acordar no campo com o cantar dos galos tem sua poesia, assim como embalar o sono com o farfalhar dos coqueiros e as ondas do mar. Mas barulho bom é aquele que você conhece, seja o latido do cachorro ou o ruído hipnótico de um ventilador meio velho.

Depois de muita praia, surf, canoa, churrasco e jangada, bom mesmo é ficar largado no sofá sem medo de ser feliz | Foto: Cottonbro/Pexels

Sem culpa

Passeio de jangada na terça, escalar dunas na quarta, rolê de canoa havaiana na quinta. Depois de tudo isso, o conforto do sofá e do controle remoto — sem culpa ou medo de ser feliz.

Sem decisões

Chicken or pasta? Hotel ou Airbnb? Praia ou cachu? Já pensou em quantas pequenas decisões precisa tomar ao longo de uma viagem? Ao voltar para casa, o prazer de comemorar (em segredo) que o piloto automático da rotina tem seu valor. Viajar com a família ou com a galera é uma oportunidade maravilhosa para conviver com as pessoas queridas de uma forma mais intensa. Mas, ahhh, como é bom poder decidir se portuguesa ou marguerita sem transformar isso em uma conferência da ONU, no silêncio de um apartamento vazio.

O velho normal

Esfiha no café da manhã, moqueca às 11 da noite, uma friturinha com cerveja na praia, o docinho que “você merece”. Litros de sal de frutas e Engov depois, enfim o conforto da sua comidinha trivial.

Enfim, o conforto da sua comidinha trivial | Foto: Kevin Mccutcheon/Unsplash
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