cenoura & bronze

Layla Motta, a fotógrafa nômade em busca do sol

Por Rafael Andery -

Aos 29 anos, Layla Motta já foi modelo, fotógrafa, artista e surfista. Acima de tudo, Layla é uma equilibrista. “Sou de uma família super surfista, da praia e sempre gostei de estar cercada pela natureza”, conta a paulistana. Depois de anos fotografando como modelo – era agenciada pela Ford Models, uma das maiores agências de modelos do mundo – passou para o outro lado da câmera, atuando como fotógrafa de ensaios de moda.

Entre um trabalho comercial e outro, toca projetos autorais: séries oníricas que misturam realidade e fantasia, não raro, em praias pelo mundo, da Califórnia ao litoral norte do estado de São Paulo. “A câmera muitas vezes funciona como uma ponte, uma desculpa para estar em vários lugares”, diz Layla. “Eu tenho um estúdio em São Paulo, mas não sou muito de nenhum lugar. Gosto de ficar pelo mundo, rodar o máximo que puder”.

Layla Motta
Layla surfando no litoral norte de São Paulo

E é o que ela faz. Da Escócia ao Chile, a fotógrafa divide-se entre seu lado comercial e o artístico. Layla usa a luz do sol para criar a estética de seus trabalhos autorais. “Eu gosto da indefinição das coisas”, diz ela. “Por isso, gosto de fotografar naqueles horários entre o dia e a noite, no amanhecer ou no escurecer. São momentos muito rápidos e preciosos em termos de luz”.

Formada em artes plásticas pela Faap, Layla começou seus projetos autorais em 2012, ao fazer um curso de fotografia em Nova York. “Ser artista é uma viagem, mas pode ser um pouco solitário. É um mergulho em si mesmo. Pelo menos o meu trabalho”, diz.

Mas nem toda a inspiração artística veio da faculdade. Parte dela, com certeza, corre no sangue da família. O pai de Layla, Carlos Motta, é um dos mais respeitados designers de móveis do Brasil – uma de suas criações, a cadeira Layla, desenhada para mães que precisam amamentar seus bebês, foi criada e nomeada em homenagem à filha.

Os irmãos, antigos parceiros de surfe, também enveredaram por caminhos criativos. Max Motta, o caçula, foi modelo e depois dividiu um ateliê com Layla, onde funcionava o Estúdio Flecha, especializado na criação de móveis de madeira. O outro irmão, Gregório Motta, nunca deixou o mar. Em 2002, ele fundou a marca de pranchas Aerofish e trabalha como shaper. Já Diego Motta é formado em design industrial e artes visuais e está construindo uma marca com o pai, a Attom.

Layla Motta
Layla Motta
Layla em seu estúdio na Vila Madalena, em São Paulo

Depois de um ano em Londres, trabalhando principalmente em editoriais de moda, Layla está de volta, pelo menos por enquanto, à sua base paulistana. “Passei quase um ano sem ver meu pé. A cidade lá é muito fria”, brinca. “E também acho que o Brasil ainda tem muita coisa a ser explorada, ainda mais imageticamente. De maneira geral, especialmente lá fora, as pessoas ainda tem uma imagem muito clichê do país”.

Layla faz o possível para mudar isso. No momento, ela trabalha em um projeto que busca documentar um pouco da cultura caiçara, especialmente nos litorais paulista e carioca. “Estou começando aos poucos, tenho fotografado bastante a Mata Atlântica, mas também quero encontrar uma presença mais humana nesse trabalho”, explica. Criada no litoral, a escolha do tema não veio ao acaso. “É uma cultura com a qual eu tenho intimidade, um universo no qual eu fico à vontade”. E, claro, que ainda permite usar os momentos de folga para aproveitar as ondas.

laylamotta.com
@laylamotta

Layla Motta
Autorretrato em Nova York, 2012