diversão & arte

Quem faz o MECA, a plataforma criativa mais cool do Brasil

Por Lilian Kaori Hamatsu -

Ponto de convergência das atenções, interesses ou aspirações de um grupo de indivíduos conectados por um elemento comum: é assim que o dicionário Houaiss define a palavra “meca”. Para Rodrigo Santanna, idealizador do festival que hoje também existe para muito além da música, o MECA tem uma definição, digamos, mais holística e menos pretensiosa: “A maior menor plataforma multicultural do mundo”. Embora tenha arquitetado, uma década atrás, um festival de música em solo nacional nos moldes do que via no exterior, Rodrigo sabe que qualquer projeto só ganha força e forma pelas mãos de pessoas. Da intenção de ocupar o vazio deixado pela MTV e reproduzir conceitos introduzidos por eventos como o SXSW, nos EUA, acabou colaborando com um grupo de profissionais obcecados pelo frescor novidadeiro e surpreendente do que é trabalhar com cultura no Brasil.

Ao acompanhar os movimentos sociais e a juventude infinita de viver conforme o fluxo, o MECA evolui junto à pluralidade da galera que orbita em torno da plataforma — dos 12 profissionais que trabalham diretamente aos milhares de family & friends — e desconstrói as amarras que criou para si. O amadurecimento veio justamente de saber que jamais deixará de ser quem foi (indie, inspirado pela agitação internacional e pautado pelo cenário musical), mas é capaz de se reinventar e reconstruir em outros meios pra ir além. Nas palavras do jornalista mineiro Bernardo Biagioni: “O MECA é mágico, o MECA é místico. E a mística está na curadoria de artistas e pensadores que se juntam para redesenhar a percepção do presente e do futuro”.

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“Quando acham que nos entenderam, experimentamos um outro jeito de fazer o MECA”, Rodrigo Santanna, fundador & CEO do MECA | Foto: Fred Othero

Quando Charles Darwin desenvolveu a teoria da seleção natural, em meados do século 19, definiu em termos científicos toda a mentalidade que permeia o pensamento moderno de sobrevivência: a evolução determina os mais fortes pela capacidade de adaptação ao ambiente em que estão inseridos. Enquanto o MECA existir, o desenvolvimento sempre partirá do olhar indagador que não permite a esse organismo vivo incorporar verdades absolutas e ideais eternos. Pela mesma razão, ele existe por meio do fortalecimento empático das relações sociais. “O MECA acolhe, é um lugar perfeito pra fazer amigos e despertar a nossa sensibilidade pro outro e pro mundo”, afirma a atriz carioca Alice Wegmann.

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MECAInhotim 2018 | Foto: I Hate Flash

Desse modo, o molusco originado nas areias de Atlântida passou por uma mutação e decidiu abandonar a pequena concha onde nasceu. Em quase dez anos de jornada, atravessou os mares e ganhou novas cidades, estados e o mundo. O MECA é MECAIberê, MECAInhotim, MECAMis, MECAUrca e MECABrennand na busca por imersões culturais em cenários hedonistas; é MECASpot, MiniMECA e MECATalks na aproximação de gente destemida que produz e consome diversidade;
é MECAJournal e MECANews pra quem curte saber o que está acontecendo por aí; é MECATrends pra quem se interessa pelo futuro e MECATogetherband e MECABrumadinho pela vontade de gerar impactos positivos. O MECA é feito de gente que celebra gente, pra gente, através de gente.

Um festival único

O que começou como um festival de música indie é hoje um fim de semana imersivo e desafiador. Em meio ao idílico cenário proporcionado pelo Inhotim, shows, workshops e feiras são pensados pra dar às cerca de 7 mil pessoas a experiência da acessibilidade num lugar intocado, por meio do sentimento de pertencimento. Neste ano, o MECAInhotim, de 17 a 19/5, recebe artistas como Gilberto Gil, Céu, Pitty, Duda Beat e Castello Branco pra despertar em cada indivíduo qualquer sensação que ele próprio quiser que seja.


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Talk durante o MECAMis, em 2018 | Foto: Helena Yoshika / I Hate Flash

A novidade do ano

Unidos pela inquietação do saber, MECA e WGSN, consultoria que é líder mundial em pesquisa de tendências, promovem uma conferência-festival com mais de 30 horas de programação dedicada ao exercício da futurologia. “O MECA traz conteúdo e troca. É muito conectado aos valores e às vozes dessa geração que está chegando”, diz Luiz Arruda, diretor da WGSN Mindset. As quatro edições do MECATrends acontecerão em SP (julho), Recife (setembro), Porto Alegre (novembro) e RJ (janeiro de 2020).


Campanha #TOGETHERBAND

Uma campanha global

Quando Cameron Saul, fundador da Bottletop, esteve no Brasil pra conhecer o MECAInhotim, concluiu que “unir música, arte, tecnologia e inovação em um lugar de natureza exuberante é um indicativo do futuro que temos que criar”. Como representante brasileiro, o MECA endossa a campanha global #TOGETHERBAND, criada em confluência entre a marca britânica de Saul e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável promovidos pela ONU.


Visão aérea do MECAInhotim | Foto: I Hate Flash

Impacto positivo

Parte integrante do ambiente de celebração da arte e da botânica que é Inhotim, o MECA abraçou a responsabilidade de retribuir ao solo mineiro tudo o que recebeu com muito apreço. Além de se unir ao fundo de arrecadação filantrópica Pró-Brumadinho, o festival adotou a missão de gerar renda pra comunidade que vive nos arredores da Mina do Córrego do Feijão. O próximo plano é executar uma edição gratuita aos moradores da cidade, intitulada MECABrumadinho. Com apoio da iniciativa privada e de negócios sociais, a intenção é potencializar a cultura e levar frescor, incentivos educacionais
e financeiros aos locais.


MECASpot, que em breve deixa suas sede na R. Artur de Azevedo e se muda para o prédio da Selina, na Vila Madalena | Foto: Bruckns

Um espaço cultural em ascensão

Selina é o que existe de mais contemporâneo em hospitalidade e turismo. Por oferecer experiências com propósito, ambientes dedicados ao coworking e ao estímulo do senso de comunidade, cada propriedade sob o selo da marca acaba sendo muito mais do que um lugar pra se hospedar. A inauguração de um novo espaço na Vila Madalena, em SP, chega como sopro de frescor em meio à enérgica cena urbana da cidade. O MECA aterrissa por lá para fazer morada e deve impulsionar a agenda cultural do bairro com shows, palestras e feiras.

Você também pode ler esta reportagem na segunda edição da revista do The Summer Hunter

Foto de abertura: Fred Othero