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A arquitetura da felicidade de Anupama Kundoo

Por
Adriana Setti

Como a arquiteta indiana Anupama Kundoo utiliza técnicas de construção artesanais e materiais simples para projetar edifícios totalmente singulares que trazem bem-estar.

Radicada em Auroville, uma inovadora ecovila localizada no sul da Índia, a arquiteta indiana Anupama Kundoo (@anupama_kundoo) utiliza técnicas de construção artesanais e materiais simples — cerâmica, palha, taipa etc — para projetar edifícios totalmente singulares focados em trazer o bem-estar sem agredir o meio ambiente. Conheça mais sobre o seu trabalho.

Após se formar na faculdade de arquitetura em 1989, Kundoo deixou para trás a frenética Mumbai, a maior cidade da Índia, e passou vários anos pesquisando formas de construção e artesanato na Índia rural e se estabeleceu em Auroville, uma ecovila pioneira no sul do país  “onde homens e mulheres podem viver em paz e harmonia progressiva acima de todos os credos, de todas as políticas e de todas as nacionalidades, com o objetivo de alcançar a unidade humana”.

A arquiteta indiana Anupama Kundoo | Foto: Max Creasy

O mundo de Kundoo

“Consegui encontrar uma forma de me concentrar apenas na proatividade, na ação positiva, em vez de resistir e lutar contra a corrente, para realmente construir o que eu quero que o mundo seja”, disse Kundoo em entrevista à Wallpaper*.

Foto: Javier Callejas
Foto: Reprodução

A busca pelas raízes

A arquitetura de Kundoo gira em torno das tradições artesanais e das técnicas comunitárias de construção. Seus edifícios costumam priorizar peças feitas à mão montadas por artesãos locais, ao invés de métodos de produção em massa. Combinando materiais modernos com as habilidades das comunidades artesanais, ela lança mão de matérias-primas como madeira, palha, taipa, casca de coco, argila, cerâmica, entre outras,, para erguer construções que atendam às necessidades climáticas, ecológicas e socioeconômicas de cada lugar. A arquiteta costuma falar sobre a importância de reservar um tempo para não fazer nada e de como rejeita a opressão da produtividade. Ela também acredita que a arquitetura deve trazer bem-estar ao invés de priorizar a estética. “Não é sobre fazer edifícios espetaculares. Não me importo de ser invisível quando necessário”, diz.

Barro e fogo

Um de seus projetos mais emblemáticos é um orfanato em Pondicherry, no sul da Índia. Desenvolvidas em parceria com o ceramista Ray Meeker, as unidades foram projetadas como fornos de grande capacidade, com tijolos de barro queimados em alta temperatura.

Foto: Sonja Winkler

Co-living

Uma de suas especialidades é projetar co-livings ecológicos em áreas urbanas — ou seja, edifícios em que os moradores compartilham recursos como lavanderias, espaços de lazer, cozinha etc. “Quero que o humano se sinta bem, individual e coletivamente”, diz.

Reconhecimento internacional

Em 2021, Kundoo ganhou o célebre prêmio Auguste Perret 2021 de tecnologia aplicada à arquitetura por seu uso inovador de técnicas de construção locais, pesquisa de materiais e trabalho alinhado com o meio ambiente, o clima e a cultura.

Fotos: Reprodução

Foto de abertura: Javier Callejas

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