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Do Maranhão a Santa Catarina, os picos favoritos do kitesurfer Alex Neto pra velejar no Brasil

Por
Adriana Setti
Em parceria com

Sem medo de voar alto (literalmente), o atleta cearense fala de suas conquistas e indica os melhores lugares pra velejar de kite.

Alex Neto cresceu pegando onda em Icaraí, o quintal da sua casa, no Ceará. Mas foi aos 13 anos de idade que decidiu voar mais alto. Hipnotizado pelas pipas que coloriam o céu na praia vizinha, do Cumbuco, colou nos kitesurfers locais até que conseguiu descolar umas aulinhas de velejo. “Perturbei tanto que venci pelo cansaço”, conta Netinho, como é conhecido entre os chegados. Três semanas depois de erguer a vela pela primeira vez, o novato já estava fazendo saltos que os próprios mentores ainda não conseguiam. “A partir daí, fiquei tão instigado que praticamente morei dentro do mar”, conta o atleta da modalidade freestyle new school, na qual o praticante “desengata” a barra do corpo pra executar giros e manobras inspiradas no wakeboard.

Alex Neto

“Ficava vendo vídeos de freestyle antes de entrar na água e, como todo moleque, tinha um grau inexistente de medo”, relembra o esportista, que compete no circuito internacional desde 2012, ano em que faturou o campeonato brasileiro. Foi justamente seu caráter destemido que o levou ao alto do pódio nas duas edições (em 2014 e 2016) do Red Bull Rally dos Ventos, batendo o campeão mundial Carlos Mário, o Bebê, também cearense. Nessa prova extrema, os participantes atravessam o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, cruzando dunas de até 45 metros de altura e velejando pelos lagos. “Meu diferencial foi ter inventado uma técnica pra velejar na areia, como se estivesse fazendo sandboard com o kite, sem tirar o pé da prancha, enquanto os outros atletas tiveram que correr”, diz Neto que, aos 27 anos, já começa a planejar seus próximos voos, pegando mais leve nas competições e trabalhando como couch de outros atletas. “Quero continuar no esporte por muito tempo, mas preciso começar a ouvir os limites do meu corpo”. A seguir, ele lista seus picos favoritos pra velejar no Brasil.

Kite na Praia do Cumbuco, no Ceará | Foto: Doma Ø2/The Summer Hunter

1. Praia do Cumbuco, Ceará: o Havaí do kitesurf

A 35km do aeroporto de Fortaleza, em Caucaia, a Praia do Cumbuco é considerada o Havaí do kitesurf. “É meu lugar favorito pra velejar, onde eu aprendi e evoluí. Não à toa, recebe esportistas do mundo todo pra praticar e aprimorar as técnicas”. A temporada de vento na Praia do Cumbuco, assim como em todo o Nordeste, vai de julho a dezembro. 

2. Barra Grande, Piauí: o roots é o novo cool

“Gosto de Barra Grande porque é como uma Jericoacoara de 15 anos atrás. E na maré seca, o mar vira praticamente uma lagoa, com vento soprando forte”, diz Alex, que curte o jeitão rústico e tranquilo do lugar, ideal pra descansar e focar a energia só no esporte. 

Kite ao pôr do sol em Jericoacoara, no Ceará | Foto: Mago75/iStock

3. Jericoacoara, Ceará: saltos nas alturas e downwind

Neto vai pra Jericoacoara três ou quatro vezes por ano. “As condições de velejo são mais extremas do que no Cumbuco. Como o vento é forte, dá pra fazer saltos bem altos e elevar a adrenalina ao nível máximo”. Recentemente, o kitesurfer postou um vídeo viral no Instagram (@alexnetow), decolando do topo da duna do pôr do sol e aterrissando no mar. “Se não é pra saltar, eu nem vou”, diz. A região de Jeri também é ideal pra fazer downwind, ou seja, velejar por vários quilômetros pela beira do mar, indo de praia em praia. 

Em Atins, no Maranhão, kitesurfe no encontro do rio com o mar | Foto: Martins Cardoso/Unsplash

4. Atins, Maranhão: onde o rio encontra o mar

Bem no encontro do rio Preguiça com o mar, Atins é a porta de entrada dos Lençóis Maranhenses. “É um lugar paradisíaco e isolado. A logística pra chegar lá não é muito fácil, mas é isso que faz o pico ser tão especial. Nunca fica cheio e a natureza é incrível, com uma vegetação muito diferente”. 

5. Florianópolis: todo dia igual, mas diferente

Com sua geografia abençoada, a capital catarinense tem a vantagem de oferecer vários tipos de cenários com condições ideais pra praticar o kitesurf. “Um dia o vento está bom pra velejar na Lagoa da Conceição, no outro você está no mar do Campeche, pegando altas ondas”. A melhor época pra velejar em Floripa é de setembro a dezembro. 

Vista aérea de praticantes de kitesurf no Rio de Janeiro | Foto: Raphael Nogueira/Unsplash

6. Rio de Janeiro: visual urbano, calor e vibe única

Alex tem vários amigos no Rio de Janeiro e costuma viajar pra cidade maravilhosa quando quer mudar de ares. “Pra mim, velejar em um cenário urbano é um contraste muito grande. Você olha do mar na Barra da Tijuca vê aqueles prédios enormes. Adoro estar cercado só pela natureza, mas o Rio tem aquele calor e aquela vibe de praia que é muito boa”. Os bons ventos são mais frequentes entre julho e janeiro.

Foto de abertura e retrato: divulgação/Svetlana Romantsova (@romantsovaphoto)

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